Recursos policiais e até anti-terrorismo estão sendo usados contra ativistas políticos

Recursos anti-terrorismo e policiais estão sendo usados com foco em grupos ambientalistas, de paz, pró-animais e ativistas políticos em geral que tenham uma opinião diferente da proposta pelos governos, sejam estatais ou locais.

Como exemplo, nos EUA, uma firma de contra-terrorismo espionou indivíduos que participaram da produção do documentário “Gasland” de Josh Fox. O filme foca no impacto que as perfurações em busca de gás causam para as comunidades locais.

O FBI e outras agencias governamentais estão caindo de pau em cima daqueles que não querem seguir à risca o status quo.

Ainda nos EUA, na Pensilvânia, ativistas encararam acusações de terrorismo por escreverem, usando giz, slogans em calçadas. Na Califórnia, pessoas estão indo à juri por protestos, assim como várias outras organizações ativistas pelo mundo.

Carlos Montes, co-fundador do “Brown Berets Chicano Movement“, algo como “Movimento Chicano dos Boinas Marrons” em português, explica que há, pelo menos nos EUA, um marcante aumento do uso de ferramentas destinadas à luta contra o terrorismo, só que destinadas agora à imposição de opressão em cima de ativistas políticos:

“Os movimentos de protesto estão expondo e desafiando diretamente as linhas que o governo americano quer que sigamos”, diz Montes. Autoridades policiais continuam a caçar e subjugar sem uma justa causa. “É uma guerra contra a divergência”.

No Brasil, não está acontecendo diferente. No dia 21 de maio de 2011, em São Paulo, a polícia agrediu, com balas de borracha e gás lacrimogênio, ativistas que se reuniram no MASP, levando cartazes e idéias em busca de uma solução para a atual criminalização e proibição da planta Cannabis sativa, a popular maconha. Os ataques policiais atingiram crianças, jovens, adultos e idosos de ambos os sexos que esperavam uma condução apenas, próximo ao local. Tudo isso por causa de uma repentina decisão tomada menos de 24 horas antes da reunião pelo Tribunal de Justiça de São Paulo que interpreta que “é ilegal dizer que maconha não deveria ser ilegal”. Um absurdo, quando generalizamos este exemplo, sugerindo que seria ilegal contestar qualquer lei existente. Aqui você poderá ler um ótimo texto escrito sobre o ocorrido, inclusive mostrando fotos de PMs que não estavam usando identificação durante a investida.

Ainda no Brasil, em Ribeirão Preto, a partir do dia 12 de maio de 2011, manifestantes acamparam próximos à diretoria da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, da USP, pois o Centro de Vivência Acadêmico dos alunos havia sido inadvertidamente lacrado à solda à mando do atual diretor Sebastião de Sousa Almeida, o “Sebá”. Os alunos tiveram acesso proibido aos seus pertences coletivos e até pessoais que eventualmente estavam no recindo durante a lacração. Ainda, o local é o único espaço de integração e convivência social disponível aos estudantes da faculdade. O diretor disse que o espaço estava sendo ocupado de maneira inadequada. Por pouco a tropa de choque não foi chamada, como já aconteceu diversas vezes nos últimos 5/cinco anos durante manifestações e reuniões semelhantes. Durante o protesto, Sebá disse aos estudantes que eles estavam atrapalhando a circulação de carros na rua em frente à diretoria e que “a rua não era pública”. Ainda, sob pedido de uma abertura de diálogo entre as partes e uma participação efetiva do corpo discente em decisões da faculdade, Sebá disse aos estudantes “[vocês] podem chamar o reitor; se eu precisar, fecho essa faculdade”, expondo toda a sua prepotência, reflexo do que é chamado, popularmente, a “Síndrome do Pequeno Poder”. Seu discurso de posse realça sua dissociação entre o falar e o fazer: “Tenham, todos [os que mantém, sobre mim, seu poder], absoluta certeza de que me dedicarei inteiramente a esta tarefa de conduzir [com cabresto] nossa escola com vistas a um futuro brilhante [e sem diálogo] em sua nobre missão de [des]educar, pesquisar e oferecer [restringir] serviços à comunidade, sempre almejando a excelência. Farei tudo o que for possível para merecer a confiança em mim depositada”.

Felizmente, com o maior e crescente acesso à informação, os testas-de-ferro (sejam tenentes, policiais, juízes, diretores acadêmicos) dos nossos governantes não tolerarão mais o exercício dos cargos sob forte repressão de uma massa de cidadãos cada vez mais conscientes.

Os governos estão trabalhando para estancar os movimentos que estão meramente procurando exercitar o direito inalienável de livre expressão e protesto.

Ainda nas palavras de Montes, “Eles estão tentando nos impedir, mas nós não vamos deixar que o façam”.

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